Estruturar uma proposta pedagógica, visualizando a descrição de "alguém" que componha um quadro profissional (docente) capaz de responder as exigências de um projeto profissional coletivamente construído e historicamente situado, é uma tarefa que pressupõe um amplo entendimento da identidade do bacharel em Serviço Social.
Tomando por base as diretrizes curriculares do MEC (Ministério da Educação), conforme os pressupostos colocados pela ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e pesquisa em Serviço Social) o perfil do bacharel em Serviço Social se faz na formação do:
Profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento, por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais;
Profissional dotado de formação intelectual e cultural generalista crítica, competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho;
Profissional comprometido com os valores e princípios norteadores do Código de Ética do Assistente social.
Para compor este perfil é necessário que o aluno entenda o caráter contraditório de sua prática profissional, diferente de espaço ocupacional, que se refere além da preparação para o emprego. É compor habilidades que sejam fomentadoras do desenvolvimento profissional compreendido como fenômeno histórico e em movimento.
Profissionais habilitados teórica e metodologicamente (e, portanto tecnicamente) para compreender as implicações de sua prática, reconstruí-la, efetivá-la e recriá-la no bojo de sua história e da história da profissão.
O profissional deve ter:
Suporte teórico-metodológico, para ter como estratégia de atuação a preparação no campo da investigação. A produção de conhecimentos sobre as determinações que a realidade impõe, a atuação profissional e a sistematização da prática;
Definir a identidade profissional, identidade que sofre influências deformadoras da cultura assistencialista e que se opõe à compreensão da Assistência como pilar da construção da profissão do Serviço Social. É a apreensão do significado social desta profissão;
Apreensão das demandas consolidadas e emergentes postas via mercado de trabalho e relações interpessoais, visando formular respostas profissionais que permitam o enfrentamento da questão social, considerando novas articulações entre o público, o privado, adquirindo elementos para a construção de sua identidade, profissional, o que significa a politização de sua profissão. É exercitar o profissional para cumprir 27 suas competências e atribuições previstas na constituição, nas legislações profissionais em vigor, e respaldado pelo código de ética da categoria e seus princípios de: liberdade, defesa de direitos, cidadania, democracia, equidade e justiça social, na garantia do pluralismo das correntes formadoras, manifestas nas várias expressões teóricas e no aprimoramento intelectual;
Realizar atividades técnico-operativas, com dimensão pedagógica e de recursos, que levem a investigação científica como eixo vertebral da atividade formativa da profissão. O contato com o conhecimento aparente da realidade da prática, sendo ligado a fenômenos de inter-relação e interpenetração de conhecimentos, sabendo identificar as correlações de forças;
O Profissional deve ter capacidade para estabelecer o método (a forma) de mediar ou intervir na realidade, conduzindo ações através da teoria e da prática, na "luta" pela transformação do todo e das partes e ou as partes do todo. Devem produzir crítica e autocrítica, exposição e reteorização, a PRÁXIS da reelaboração da prática que retorna como ponto de partida da intervenção e mediação profissional.
Este processo é base do cotidiano do trabalho social no enfrentamento da questão social.
Problemas que o egresso estará apto a resolver
Para a preparação teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, o egresso deve levar em conta os fatores externos e internos da formação profissional.
Por fatores externos, contextuais pontuamos o contexto sócio-histórico em três níveis:
O nível de desenvolvimento capitalista e de suas forças produtivas junto à realidade de atuação profissional;
A compreensão da diversidade e de desigualdade de desenvolvimento da profissão, cuja Universidade tem papel, relevante;
O papel da profissão no processo de reordenamento da divisão social do trabalho.
Quanto os fatores internos da formação profissional são necessários destacar:
A necessidade da articulação do currículo, na construção de uma identidade profissional, com coerência dirigida para os fatores externos;
O movimento constante de "reconceituação" da prática, com confluência para as ciências, integração dinâmica e operativa, na formação prática;
Articular teoria e prática como sendo esta, espaço para investigação dos aparatos conceituais;
Desvelar espaços ocupacionais do Serviço Social, aproximando-os da formação acadêmica, fortalecendo a formação da identidade profissional;
Habilitar o profissional para: a investigação científica, ao planejamento social, a programação de projetos, a administração de recursos e prioridades sociais;
Reconstruir a imagem feminilizada da profissão, constituída pela sua história de origem, sendo em sua maioria composta de mulheres, com tarefas de apoio social, que incidem sobre uma visão cultural empobrecedora diante do mercado, integrando questões de gênero e diferenciação social sob aspectos da integração interdisciplinar do currículo, na construção da identidade do Serviço Social.
Funcões que o egresso exercerá no mercado
Estes elementos estão em consonância com as determinações da Lei n.º. 8662, de 7 de Junho de 1993, que regulamenta a profissão de assistente social e estabelece as seguintes competências e habilidades técnico-operativas:
Formular e executar políticas sociais em órgãos da administração pública, empresas e organizações da sociedade civil;
Elaborar, executar e avaliar planos, programas e projetos na área social;
Contribuir para viabilizar a participação dos usuários nas decisões institucionais;
Planejar, organizar e administrar benefícios e serviços sociais;
Realizar pesquisas que subsidiem formulação de políticas e ações profissionais;
Prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública, empresas privadas e movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais e à garantia dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
Orientar a população na identificação de demandas e necessidades sociais;
Realizar visitas, perícias técnicas, laudos, informações e pareceres sobre matéria de Serviço Social;
Exercer funções de direção em organizações públicas e privadas na área de Serviço Social;
Assumir o magistério de Serviço social e coordenar cursos e unidades de ensino;
Supervisionar diretamente estagiários de Serviço Social.
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